terça-feira, 26 de julho de 2011

Desde o jardim de infância tomava lanche sozinha.

Perto da sala dos professores. Por diversas vezes causou problemas no colégio, e foi tirada da aula para conversar com a psicopedagoga. Não podia ter um album de figurinhas da novela mexicana do momento, pois se comprasse um, a menina mais briguenta e patricinha da sua sala iria roubar por inveja. Fugia das atividades em grupo. No momento de maior liberdade e auto-estima saía na chuva e rodapiava. Como rodapiava a garota na chuva.

Cresceu. Se apaixonou. Desapaixonou. As garotas loiras e lindas de sua sala apareciam com alianças brilhantes no dedo, e tinham passeios incriveis para fazer nos fins de semana. Ela apenas cantava na igreja. Apaixonou-se, desapaixonou-se. Escutava sermões de pessoas que diziam que ela estava errada. Ela não tinha coragem de olhar nos olhos de quem falava. Em seu momento de constrangimento colocava a mão na boca e fingia rir. Apaixonou-se. Nossa, como apaixonou-se. E como era dificil esse amor.
Até hoje ela é apaixonada, e não desistiu. Não desapaixonou-se. Perdeu a vergonha e o medo de falar e olhar nos olhos das pessoas quando entrou para um grupo de teatro. Conseguiu seu objetivo se encontrar seu grande amor. Canta, ainda canta. Não é loira, nem tem olhos azuis. Tampouco namora sério. Encontrou em uma banda o motivo para sorrir e sorrir todos os dias. Não vai ser médica. Pretende estudar produção musical. Ainda é toda estranha, mas encontrou amigos de verdade. E se transformou, E se arriscou. E MÚSICA. {...} [ a minha história não acaba aqui. ♥

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